PANDEMIA DE COVID-19 E NECESSIDADE DE CREMAÇÃO EM PORTADORES DE DISPOSITIVOS CARDÍACOS ELETRÔNICOS IMPLANTÁVEIS

SSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE ARRITMIA, ELETROFISIOLOGIA E ESTIMULAÇÃO CARDÍACA ARTIFICIAL – ABEC/DECA

PANDEMIA DE COVID-19 E NECESSIDADE DE CREMAÇÃO EM PORTADORES DE DISPOSITIVOS CARDÍACOS ELETRÔNICOS IMPLANTÁVEIS

COVID-19 é uma pandemia global que está causando severos danos ao sistema de saúde e na economia da maioria dos países do mundo.

Apresenta uma taxa de transmissão alta, com letalidade variando de 1-10%,  a depender da faixa etária acometida e comorbidades presentes, em especial  pacientes com idade acima de  60 anos, diabéticos, hipertensos, portadores de doenças cardiovasculares ,  autoimunes e imunodeprimidos.

Alguns dos pacientes que evoluem para óbito são portadores de dispositivos cardíacos eletrônicos implantáveis-DCEI (marcapassos-MP, cardiodesfibriladores implantáveis-CDI e ressincronizadores cardíacos). Devido ao grande número de óbitos num curto espaço de tempo, a cremação de muitos pacientes pode tornar-se necessária, entre elas, as de portadores desses dispositivos.

Em caso de cremação é necessário a retirada dos DCEI para evitar o risco de explosões no forno crematório, devendo o procedimento ser feito com consentimento da família.

Profissionais responsáveis pela retirada dos dispositivos

A retirada de Dispositivos Cardíacos Eletrônicos Implantáveis é um ato médico. O procedimento deve ser realizado por médico intensivista, médico responsável pelo paciente na internação ou cirurgião geral de retaguarda, sendo entretanto recomendável que haja orientação de um profissional médico com habilitação na área de implantes desses dispositivos.

Nesse momento crítico, devido à alta taxa de transmissão da doença, e para se evitar o risco de contaminação adicional de outro profissional médico (especialista na área), quando necessário pode haver orientação na retirada do DCEI à distância por telemedicina, pelo profissional especialista.

Ressalta-se que o Conselho Federal de Medicina, através de seu OFÍCIO CFM Nº 1756/2020, encaminhado ao Ministério da Saúde, reconheceu em caráter excepcional, durante a pandemia, a eticidade da utilização da telemedicina, de sorte que a utilização da mesma como procedimento não gera qualquer incorreção de conduta.

Orientações antes da retirada

O profissional deve reconhecer o tipo de dispositivo (MP /CDI/Ressincronizador) através do documento de identificação do aparelho (carteirinha) e o nome do fabricante (BIOTRONIK / BOSTON/ SAINT JUDE MEDICAL-ABBOTT/ MEDTRONIC)

Os marcapassos e ressincronizadores não necessitam de nenhuma programação especial antes da retirada.

Em relação aos cardiodesfibriladores implantáveis e ressincronizadores associados à desfibriladores, é necessário que se faça uma regulagem do aparelho e se desliguem as funções de choque e terapias do dispositivo antes da retirada, para evitar que sejam liberados choques  no médico que executa o procedimento, no momento de manipulação do aparelho e/ou secção dos eletrodos.

Cuidados no procedimento

1. Os Equipamentos de Proteção Individual(EPI) recomendados para manipulação de  corpos humanos  são:­ Avental impermeável de manga comprida, capas de sapatos ou botas impermeáveis , máscaras N95 ou superior, gorro, óculos ou protetor facial,  luvas não estéreis e nitrílicas ao manusear materiais potencialmente infecciosos e se houver risco de cortes, perfurações ou outros ferimentos na pele, usar luvas resistentes sob as luvas de nitrila.

2. Deve-se iniciar o  procedimento com a colocação de campos cirúrgicos de pequena cirurgia, fazendo-se pequena incisão de 4-5 cm sobre a incisão cirúrgica existente próximo ao DCEI até ter acesso à loja do gerador, que deve ser exposta através de incisão com a lâmina do bisturi. Após a abertura da loja faz-se a retirada do gerador e secção proximal dos eletrodos. Higienizar e tapar/bloquear os orifícios de drenagem da ferida com cobertura impermeável. O dispositivo não pode ser entregue aos responsáveis ou representantes legais do falecido. O descarte desses dispositivos na qualidade de resíduo hospitalar contaminado e poluente deve ser feito pelo serviço de saúde que efetuou a retirada. Após limpeza e desinfecção conforme normas, e acondicionamento adequado deve ser encaminhado ao fabricante para descarte definitivo (segundo Resolução RDC nº15/2012).

Cuidados após o procedimento

1. Em relação ao descarte e limpeza do material utilizado durante o procedimento orientamos que: Os EPIs devem ser removidos antes de sair do ambiente do procedimento e descartados, apropriadamente, como resíduos infectantes (RDC nº 222/2018). ­ Resíduos perfurocortantes devem ser descartados em recipientes rígidos, à prova de perfuração e vazamento, e com o símbolo de resíduo infectante. ­Após remoção dos EPIs, sempre proceder à higienização das mãos. ­ Artigos não descartáveis deverão ser encaminhados para limpeza e desinfecção/esterilização, conforme rotina do serviço e em conformidade com a normatização. ­ Toda a sala de procedimento e os objetos que nela ficam devem ser tratados como artigos contaminados. Dessa forma, precisam de limpeza e desinfecção conforme recomendação técnica. ­Os materiais descartáveis devem ser dispensados em sacos amarelos e encaminhados para incineração. ­ Todos os materiais utilizados em procedimentos que envolvam manipulação de tecidos e secreções de corpos de pessoas com COVID-19, suspeita ou confirmada, devem ser descartados.

2. A limpeza e desinfecção de todos os elementos do programador de DCEI, deve ser realizada  caso tenha sido necessária a interrogação e programação do mesmo.

Retirada de dispositivos eletrônicos implantáveis post mortem para cremação COVID19

Portadores de CDI/ Cardiodesfibriladores devem ter suas terapias desligadas com programador de dispositivos pelo risco de choque ao cirurgião. Marcapassos não precisam de nenhuma alteração previa à retirada

Referências

1. Dhanunjaya R. Lakkireddy, Mina K. Chung, Rakesh Gopinathannair, et al, Guidance for Cardiac Electrophysiology During the Coronavirus (COVID-19) Pandemic from the Heart Rhythm Society COVID-19 Task Force; Electrophysiology Section of the American College of Cardiology; and the Electrocardiography and Arrhythmias Committee of the Council on Clinical Cardiology, American Heart Association, Heart Rhythm (2020)

2. Consulta CREMESP nº 4.737/15; Cobrança da segunda assinatura no Atestado de Óbito em caso de cremação; 5/9/17 https://www.cremesp.org.br/

3. OFÍCIO CFM Nº 1756/2020 – COJUR. CFM reconhece a possibilidade de atendimento à distância durante a pandemia do COVID-19 Disponível em: http://portal.cfm.org.br/images/PDF/2020_oficio_telemedicina.pdf

4. REFERÊNCIAS BRASIL. Anvisa. RESOLUÇÃO DA DIRETORIA COLEGIADA-RDC da ANVISA Nº 222, DE 28 DE MARÇO DE 2018 que regulamenta as Boas Práticas de Gerenciamento dos Resíduos de Serviços de Saúde e dá outras providências. Brasília: 2018. DOU nº 61, 29 de março de 2018. Disponível em: http://portal.anvisa.gov.br/

5. Anvisa. Resolução RDC nº 3, de 8 de julho de 2011. Dispõe sobre o Controle e Fiscalização Sanitária do Translado de Restos Mortais Humanos. Disponível em: http://bvsms.saude.gov.br/bvs/saudelegis/anvisa/2011/res0033_08_07_2011.html

6. Anvisa. Nota Técnica GVIMS/GGTES/Anvisa nº 04/2020 – Orientações para Serviços de Saúde: medidas de prevenção e controle que devem ser adotadas durante a assistência aos casos suspeitos ou confirmados de infecção pelo novo coronavírus (sars-cov-2). (atualizada em 21/03/2020).

7. Ministério do Trabalho e Emprego. Portaria nº 485 de 11 de novembro de 2005 – Norma Regulamentadora 32 (NR 32) – Segurança e Saúde no Trabalho em Serviços de Saúde. Brasília: 2005.

8. Centers of Disease Control and Prevention – CDC Interim Guidance for Collection and Submission of Postmortem Specimens from Deceased Persons Under Investigation (PUI) for COVID-19. Fevereiro 2020. Disponível em: https://www.cdc.gov/coronavirus/2019-ncov/hcp/guidance-postmortem-specimens.html

9. National Institute Of Forensic Medicine Malaysia: Interim Guidelines For H Andling Dead Bodies Of Suspected/Probable/Confirmed 2019 Novel Coronavirus (2019-Ncov) Death. Disponível em: http://www.moh.gov.my/

10. Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental – ABES. Recomendações para a gestão de resíduos em situação de pandemia por Coronavírus (COVID-19). Março de 2020.

11. Infection Prevention and Control for the safe management of a dead body in the context of COVID-19: Interim guidance 24 March 2020. World Health Organization Disponível em: https://apps.who.int/iris/bitstream/handle/10665/331538/WHO-COVID-19-lPC_DBMgmt-2020.1-eng.pdf

12. Manejo de corpos no contexto do novo coronavírus COVID-19 SVS/MS •Versão 1 – março 2020 SVS/MS Versão 1 – março 2020 16. Disponível em: https://www.saude.gov.br/images/pdf/2020/marco/25/manejo-corpos-coronavirus-versao1-25mar20-rev5.pdf

13. Phan LT, Nguyen TV, Luong QC, Nguyen TV, Nguyen HT, Le HQ, et al. Importation and Human-to Human Transmission of a Novel Coronavirus in Vietnam. New England Journal of medicine. 2020.

14. Infection Prevention and Control for the safe management of a dead body in the context of COVID-19

Contatos:

1. ABEC/DECA:
https://abecdeca.org.br/  https://www.facebook.com/marcapassodeca
Telefones: 055 (011) 28729870 / (011) 38421352
2 ABBOTT-SAINT JUDE MEDICAL: https://www.abbottbrasil.com.br
3. BIOTRONIK: https://www.biotronik.com/pt-br
4. BOSTON:  https://www.bostonscientific.com/pt-BR
5. MEDTRONIC: https://www.medtronic.com/br-pt Brasil, 05 de abril de 2020.

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE ARRITMIA, ELETROFISIOLOGIA E ESTIMULAÇÃO CARDÍACA ARTIFICIAL – ABEC/DECA

Diretoria ABEC/DECA biênio 2020-2021


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