Jovem reencontra médicos que a salvaram da morte 20 anos depois.

Os cardiologistas utilizaram um procedimento que nunca tinha sido tentado em bebês na América Latina. O reencontro celebrou a vida.

Poder ver a vida correr, os anos passarem e dizer? muito obrigado? a quem nos ajuda. Foi o que uma jovem de São Paulo fez na quarta-feira (3). Ela reencontrou os médicos que a salvaram quando ela era um bebezinho. Os cardiologistas utilizaram um procedimento que nunca tinha sido tentado em bebês na América Latina. O reencontro celebrou a vida.

A família veio pagar uma dívida de gratidão. ? Tenho uma grande vontade de conhecer pessoas que fizeram e fazem parte da minha vida, porque graças a eles estou aqui hoje?, diz a estudante Flávia Camargo Macedo Tavares.

Os cardiologistas Tarcisio Vasconcelos e Silas Galvão Filho salvaram a vida de Flávia quando ela ainda era bebê. Ela tinha apenas 7 meses de vida. Seu coração batia quase três vezes mais do que o normal.

“Ela tinha taquicardia incessante que fazia com o que coração dela estivesse o tempo inteiro numa frequência entre 250 e 300 batimentos por minuto, em alguns momentos chegando a 320. Em uma criança na idade dela, em repouso, numa situação em que sem chorar, sem estresse, espera-se uma frequência cardíaca na faixa de 110 a 120 batimentos por minuto nessa faixa etária”, conta o cardiologista Tarcisio Vasconcelos.

Flávia ficou internada na UTI. Os medicamentos não davam resultado e a cirurgia foi descartada, porque ela era muito pequena. Em frente ao corredor da UTI, os médicos deram a notícia aos pais de Flávia: para resolver o problema no coração da menina, teriam de fazer um procedimento novo na época, que ainda não tinha sido testado em bebês na América Latina. Foram usados cateteres, espécies de sondas, para chegar ao coração e queimar um pequeno conjunto de fibras que provocava a aceleração dos batimentos.

“Ela nasceu com um fiozinho a mais no coração, e ele funciona com eletricidade. É como imaginar uma casa onde as paredes são normais, as janelas e as portas são normais, mas tem um fiozinho em um dos quartos que gera uma pane elétrica na casa. Nós entramos dentro dessa casa, procuramos identificar em qual cômodo se encontra essa anomalia e fazemos uma cauterização”, explica o cardiologista Tarcisio Vasconcelos.

“Tivemos que aguardar e confiar neles, nós não tínhamos outra alternativa. A única era a que já estava nas mãos do médico. Tivemos que aguardar, confiar neles, acreditar e aguardar. Foi o que aconteceu. E deu certo”, diz Ronaldo Macedo Tavares, pai de Flávia.

Flávia cresceu sem nenhuma complicação. Em agradecimento, os pais mandaram fotos da filha para os médicos até a menina completar 6 anos de idade. “A gente nunca vai esquecê-los. Rezo todos os dias e peço a Deus para dar bastante saúde a eles para continuarem fazendo isso em outras crianças que precisam”, afirma Maria do Carmo Macedo Tavares, mãe de Flávia.

“Vimos que mostrou os benefícios realmente e a evolução da cardiologia. Ver essa mocinha me deixou muito contente”, diz o cardiologista Silas Galvão Filho.”Não tenho heróis em desenhos. Tenho dois grandes heróis de verdade”, diz Flávia.

O procedimento que salvou a Flávia foi usado depois em muitas outras crianças. Com a evolução da medicina, o tratamento ficou mais sofisticado. Antes eram usados sondas, aquele cano fininho, e choques elétricos. Atualmente, as sondas são mais flexíveis, mais fáceis de usar, e o choque elétrico foi substituído pela radiofrequência.

Confira o vídeo sobre a matéria.
http://g1.globo.com/bom-dia-brasil/noticia/2011/08/jovem-reencontra-medicos-que-salvaram-da-morte-20-anos-depois.html

Bom Dia Brasil / Online – 4/08/2011

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