Vacinação contra Covid-19 em pessoas que relatam doenças alérgicas

Em um editorial publicado na British Medical Journal em 18/01/2021, pesquisadores britânicos comentam que a maioria dos pacientes com doenças alérgicas, pode ser tranquilizada e vacinada contra a Covid-19

O uso da vacina Covid-19 da Pfizer-BioNTech em pessoas com histórico de alergias graves, foi temporariamente interrompido no Reino Unido, depois que dois profissionais de saúde experimentaram reações anafiláticas no início de dezembro. A Agência Reguladora de Medicamentos e Produtos de Saúde (MHRA) havia declarado que “qualquer pessoa com histórico de anafilaxia a uma vacina, medicamento ou alimento, não deve receber a vacina Pfizer/BioNTech”.

No entanto, a MHRA revisou sua posição em 30 de dezembro, após cuidadosa consideração com base na vigilância aprimorada de mais de um milhão de doses da vacina no Reino Unido e na América do Norte, incluindo os locais onde pessoas com alergias graves nunca foram impedidas de receber a vacina. O órgão regulador não encontrou nenhuma evidência de um risco aumentado de anafilaxia à vacina Pfizer-BioNTech, entre pessoas com histórias de alergia graves, mas não relacionadas às vacinas, e alertou que apenas as pessoas que tiveram uma reação alérgica à primeira dose desta vacina, ou que anteriormente tiveram reações a qualquer um dos seus componentes, não deveriam recebê-la.

Esta é uma boa notícia para pessoas com alergias graves, mas os riscos para o lançamento das vacinas Covid-19 no Reino Unido, permanecem por causa da ampla disseminação da contraindicação para alergia na mídia. Todas as manchetes de primeira página do New York Times, da CNN e da BBC, delineavam os riscos da vacina para pessoas com alergias. No entanto, a orientação revisada da MHRA, recebeu pouca cobertura da mídia. O relato de alergia como sinônimo de anafilaxia é preocupante, uma vez que no Reino Unido e nos EUA, 20-40% da população tem pelo menos uma doença alérgica, um termo abrangente para síndromes clínicas múltiplas como rinite alérgica, anafilaxia, asma alérgica, conjuntivite, eczema, dermatite de contato, alergia alimentar e urticária, que são causadas por alimentos, aeroalérgenos (incluindo poeira doméstica, mofo e pólens), além de efeitos adversos de medicamentos mediados imunologicamente.

Antes de a contraindicação da vacina Pfizer-BioNTech ser anunciada, pesquisas relataram que a disposição do público em ser vacinado com uma das novas vacinas Covid-19, variou de 67% a 90%. Essa estimativa tem flutuado, no entanto. Em um estudo conduzido de abril a maio de 2020, 90% dos pais e responsáveis ​​por crianças pequenas, disseram que aceitariam uma nova vacina Covid-19; enquanto em junho, um questionário semelhante, relatou potencial de absorção de somente de cerca de 70%. Em julho de 2020, outro estudo no Reino Unido descobriu que 64% dos participantes eram “muito propensos” a aceitar a vacina Covid-19, com outros 27% inseguros. A hesitação vacinal parece ser maior em populações de minorias étnicas.

Dado que as alergias são comumente relatadas, e a aceitação pública da vacina Covid-19 parece estar diminuindo, a aceitação da vacina Pfizer-BioNTech pode ser menor do que o esperado, particularmente entre pacientes com alergias. Isso pode levar a novos surtos de Covid-19, necessitando de bloqueios locais e dificultando as respostas à pandemia. Os profissionais de saúde também podem relutar em vacinar pessoas com qualquer histórico de alergia. Portanto, é essencial que aqueles que planejam e administram programas de vacina Covid-19, entendam as evidências com maiores detalhes.

Fatos importantes

É importante ressaltar que a história de alergia grave não impede a vacinação, a menos que a alergia seja à própria vacina ou a um de seus componentes. Apenas um dos excipientes da vacina Pfizer-BioNTech é um alérgeno potencial conhecido, o polietilenoglicol (PEG 2000), e este é um ingrediente inativo em mais de 1000 medicamentos. A vacina Oxford-AstraZeneca não contém PEG 2000, portanto, continua sendo uma alternativa para pessoas com histórico de alergia a esse ingrediente.

No entanto, existe alguma reatividade cruzada entre o PEG e o polissorbato 80, um ingrediente da vacina Oxford-AstraZeneca, e desta forma, a avaliação por um especialista em alergia pode ser aconselhável, antes da vacinação em qualquer pessoa com suspeita de história de alergia a PEG. A alergia é específica para o antígeno, embora as pessoas com alergia a um medicamento, possam ser mais suscetíveis a outras alergias a outros medicamentos do que a população em geral.

E, finalmente, as melhores abordagens para esclarecimento da vacina incluem “ciência, educação, acesso, discurso civil e debate”, e não a coerção ou a censura. Os vacinadores devem estar preparados para fornecer informações, explicar a diferença entre alergias graves, moderadas e leves; e esclarecer a tomada de decisão da MHRA. As opiniões das pessoas sobre vacinas Covid-19 podem ser transferidas para outras vacinas, como na imunização regular de vacinas conhecidas para si mesmas e suas famílias, e também para as vacinas futuras. Portanto, deve-se manter as linhas de comunicação abertas e, se a vacinação em um momento for recusada, tranquilizar as pessoas de que elas podem retornar em um outro momento.

Ainda pode ser possível vacinar com segurança pessoas com alergia aos componentes da vacina. Os alergistas devem avaliar cuidadosamente os pacientes que relatarem alergia a uma vacina, medicamento injetável ou PEG, e fazerem uma triagem entre aqueles capazes de prosseguir com a vacinação, com uma rotina de 15 minutos de observação. Outros que requeiram um tempo maior de 30 minutos de observação, e outros poucos que exijam um teste cutâneo para PEG e polissorbato antes da vacinação, deverão ser monitorados. Os hospitais no Reino Unido já lançaram esses serviços e essa avaliação já está em andamento.

P.S. IMPORTANTE: No que diz respeito às duas vacinas atualmente aprovadas no Brasil, a que usa o vírus inativado (Coronavac), e a que usa o material genético do vírus (Astrazeneca), o único aviso de recomendação da agência FDA americana para pacientes imunocomprometidos, incluindo aqueles submetidos à terapia imunossupressora, é a redução no potencial de resposta à vacina. O CDC americano observa que os pacientes imunocomprometidos podem receber as vacinas, desde que não tenham contraindicações específicas à vacinação, mas que ainda assim, eles devem ser aconselhados sobre os perfis de segurança ainda não totalmente compreendidos das vacinas em populações imunocomprometidas. Mas esse já é outro tema que eu só abordarei amanhã com maiores detalhes.

Covid-19: Líderes médicos britânicos pedem orientação revisada dos EPI para refletir a atualidade das novas variantes do SARS-CoV-2

Em um comentário publicado na British Medical Journal em 15/01/2021, pesquisadores britânicos exortaram a sistema nacional de saúde britânico (NHS) a fortalecer sua orientação sobre os equipamentos de proteção individual (EPI) para refletir as formas mais transmissíveis de SARS-CoV-2 às quais a equipe de saúde está sendo exposta na atualidade.

A orientação atual diz que máscaras FFP3 de alto grau, devem ser fornecidas para a equipe que está envolvida em procedimentos de geração de aerossóis, mas outras equipes que cuidem de pacientes com Covid-19, devem usar apenas as máscaras cirúrgicas resistentes a fluidos.

Em uma carta ao Sistema Nacional de Saúde britânico (NHS) enviada em 13 de janeiro, o presidente do conselho da Associação de Médicos Britânicos (BMA), Chaand Nagpaul, disse que, à luz da identificação da nova variante do SARS-CoV-2, e com o aumento da disseminação do vírus, com novas evidências crescentes de transmissão por aerossol, a NHS deve revisar suas recomendações sobre o uso de EPI, “para que uma abordagem mais preventiva seja adotada para o fornecimento de equipamento de proteção respiratória (EPR), com o objetivo de garantir que todas as equipes estejam protegidas da transmissão de aerossol”. Ele disse: “Existem preocupações significativas e crescentes, sobre o papel da transmissão por aerossol da Covid-19 em ambientes de saúde, e a necessidade de um uso mais amplo de EPR (por exemplo, máscaras FFP3) fora dos procedimentos designados como geradores de aerossol. Portanto, pedimos ao Sistema Nacional de Saúde da Inglaterra, que apoie o uso mais amplo de EPR em outros ambientes de alto risco na atenção primária e secundária”. Nagpaul mencionou evidências indicando taxas de infecção mais baixas entre a equipe em áreas onde o EPR de grau mais alto é atualmente recomendado. Ele também apontou que a Organização Mundial da Saúde modificou sua orientação em dezembro para informar que, onde houvesse máscaras disponíveis, eles deveriam ser considerados para uso mais amplo.

A Associação de Médicos do reino Unido também pediu à NHS que revisse suas diretrizes sobre EPI para profissionais de saúde. A organização disse que havia 44.000 funcionários do NHS ausentes atualmente por causa da Covid-19, com muitos adoecendo por causa da nova variante mais transmissível. Katie Sanderson, porta-voz da associação, disse: “Os profissionais de saúde no Reino Unido continuam a ser infectados com Covid-19 no trabalho, a taxas que poderiam ser atenuadas pelo acesso a melhores equipamentos de proteção individual”. Jenny Vaughan, vice-presidente da Associação de Médicos, disse que a organização estava“ pedindo uma revisão completa das diretrizes de EPI, incluindo um acesso mais amplo às máscaras FFP3. Muitos funcionários do NHS estão adoecendo por causa da nova variante mais transmissível. O vírus Covid-19 mudou, mas as mesmas diretrizes que introduzimos em março não foram atualizadas. ” Garantir maior proteção foi especialmente vital para a equipe que corria maior risco com a Covid-19, como médicos de uma minoria étnica, disseram os órgãos médicos.

As intervenções seguem um apelo semelhante da Fresh Air NHS, um grupo de profissionais de saúde da linha de frente que recentemente escreveu uma carta aberta aos políticos do Reino Unido, instando-os a reconhecer a importância da transmissão aérea do SARS CoV-2, e garantir que medidas estivessem em vigor para proteger equipe e pacientes.

Yvonne Doyle, diretora médica da NHS, disse: “a equipe do NHS está sob imensa pressão e sua segurança sempre foi nossa maior prioridade. O grupo de Controle de Prevenção de Infecção do NHS revisou as evidências mais recentes, e aconselhou que os EPI devem continuar a ser usados conforme estabelecido na orientação atual de prevenção e controle de infecção, com máscaras FFP3 necessárias para as equipes que realizam procedimentos clínicos de geração de aerossol. Isso é apoiado pela Organização Mundial da Saúde. Evidências e dados emergentes sobre cepas variantes e transmissão serão monitorados e revisados ​​continuamente ”.

Mais variantes transmissíveis podem dominar a pandemia em março de 2021, alerta o CDC

Em um comentário publicado na Medscape em 15/01/2021, o CDC alerta que as novas variantes DO CORONAVÍRUS prevalecerão nos Estados Unidos a partir de março de 2021.

Pouco mais de 1 mês desde que os investigadores do Reino Unido alertaram o mundo sobre o surgimento de uma nova variante do SARS-CoV-2 mais transmissível, os investigadores do Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) alertam que esta nova variante irá predominar nos Estados Unidos em março de 2021. Em 13 de janeiro, a variante B.1.1.7 do SARS-CoV-2 foi detectada em 76 casos em 10 estados dos EUA, relatam os pesquisadores em 15 de janeiro, em um lançamento antecipado do Relatório Semanal de Morbidez e Mortalidade (MMWR) do CDC. Sua modelagem prevê um crescimento rápido de B.1.1.7 no início de 2021.

As implicações potenciais são muitas. Uma ameaça aos recursos de saúde já esgotados, e uma necessidade de estratégias de saúde pública ampliadas e mais rigorosas são prováveis, por exemplo. Além disso, “o aumento da transmissibilidade também significa que a cobertura de vacinação mais alta do que o previsto deve ser alcançada, para atingir o mesmo nível de controle da doença, para proteger o público em comparação com as variantes menos transmissíveis”, observa o autor do estudo Summer E. Galloway, PhD, e colegas com a equipe de resposta do CDC para a COVID-19.

Sem tempo para perder

O relatório surge no momento em que o número de novos casos da COVID-19 nos EUA continua a aumentar e quebrar recordes. Os pesquisadores do CDC enfatizam novamente as táticas para controlar a pandemia, particularmente à luz da variante B.1.1.7, incluindo o uso de máscara, distanciamento social, higiene das mãos, isolamento e as medidas de quarentena já bem conhecidas. Essas estratégias de saúde pública são essenciais para diminuir o impacto potencial de B.1.1.7, “ganhando tempo crítico para aumentar a cobertura de vacinação”, observam Galloway e colegas.

No entanto, eles também acrescentam a necessidade de aumentar a vigilância genômica das variantes do SARS-CoV-2. A modelagem de previsão também considera os efeitos da vacinação COVID-19. Os pesquisadores estimaram 1 milhão de doses diárias de vacina a partir de 1º de janeiro de 2021, e 95% de eficácia 14 dias após a segunda imunização. Eles também assumiram a mesma proteção oferecida pelas vacinas para o vírus existente e a nova variante.

“Com a vacinação que protege contra a infecção, as trajetórias epidêmicas iniciais não mudam e a propagação de B.1.1.7 ainda ocorre. No entanto, depois que B.1.1.7 se torna a variante dominante, sua transmissão é substancialmente reduzida”, observam os pesquisadores. A elevada transmissibilidade de B.1.1.7 deriva de múltiplas mutações genéticas ao longo da proteína spike do vírus, incluindo uma que muda a forma de seu domínio de ligação ao receptor.

Monitorando uma variedade de variantes

B.1.1.7 não é a única variante que causa preocupação global. Acredita-se que uma variante detectada na África do Sul e outra identificada em Tóquio em quatro viajantes do Brasil, apresentem transmissibilidade aprimorada. Mas a partir de 12 de janeiro, nenhuma dessas cepas foi detectada nos Estados Unidos. “As evidências sugerem que outras mutações encontradas nessas variantes podem conferir não apenas maior transmissibilidade, mas também podem afetar o desempenho de alguns ensaios de reação em cadeia da polimerase de transcrição reversa em tempo real (RT-PCR), e com isso reduzir a suscetibilidade a anticorpos neutralizantes”, observam os pesquisadores.

Fonte: Cantim do Covid-19

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Gabarito - 20/11/2019

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Comunicado

Informamos que estaremos em recesso de carnaval até o dia 05/03. Retornaremos às nossas atividades normais às 12h do dia 06/02/2019.

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